Absenteísmo nas empresas: o que é, como calcular e como reduzir faltas no trabalho?

DICA
Homem em escritório fazendo gesto de frustração relacionado ao absenteísmo no trabalho.

O absenteísmo é um dos indicadores sensíveis da gestão de pessoas. Quando as faltas começam a aumentar, os impactos são a queda de produção, sobrecarga das equipes, desconfiança dos colegas, pressão sobre lideranças e queda de motivação geral. 

Colaboradores desengajados tendem a faltar mais e este não é um problema isolado de apenas uma organização. 

O relatório mundial State of the Global Workplace 2025, da Gallup (retrato do mundo do trabalho), aponta queda no engajamento global desde 2024, gerando uma perda estimada de US$ 438 bilhões em produtividade para a economia mundial.  A estimativa da empresa de pesquisa, é que apenas 21% dos trabalhadores estão engajados, enquanto a maioria se encontra desengajada ou ativamente desmotivada.

Além disso, o esgotamento de gestores e a deterioração do ambiente de trabalho levam ao aumento do absenteísmo e do turnover. A pesquisa relacionou diretamente o engajamento de gestores e liderados, quando um líder não está engajado a sua equipe tende a se desmotivar. 

Neste contexto, quando o engajamento diminui e o bem-estar é impactado, as faltas ao trabalho são uma das consequências.

Neste artigo, vamos entender como a sua empresa pode melhorar reduzir as faltas dos colaboradores. Também, como calcular o índice e qual o valor saudável para mantê-lo, qual o papel do RH e outras causas do absenteísmo.

Siga a leitura!

O que é absenteísmo?

Absenteísmo é o indicador que mede as ausências dos colaboradores no trabalho, sejam elas justificadas ou não, como faltas, atrasos, afastamentos médicos e licenças. Ele representa o percentual de tempo não trabalhado em relação ao total de horas previstas e funciona como um termômetro da saúde organizacional, pois pode refletir problemas de clima, engajamento, condições de trabalho ou bem-estar físico e emocional das equipes.

Tipos de absenteísmo

  1. Absenteísmo justificado

São as ausências previstas em lei ou formalmente autorizadas pela empresa, como atestados médicos, licença-maternidade ou paternidade, afastamentos pelo INSS, férias, luto e obrigações legais. Embora impactem o indicador, fazem parte da dinâmica natural da relação de trabalho e devem ser acompanhadas sob a ótica de planejamento.

  1. Absenteísmo injustificado

Ocorre quando o colaborador falta ou se atrasa sem apresentar justificativa formal. Esse tipo exige maior atenção do RH, pois pode estar relacionado a desmotivação.

  1. Absenteísmo por doença

Relaciona-se a problemas de saúde física ou mental que geram afastamentos temporários ou prolongados. Quando recorrente, pode indicar falhas nas condições de trabalho ou riscos psicossociais como os apontados na NR 01.

Qual a diferença entre absenteísmo e presenteísmo?

O absenteísmo acontece quando o colaborador não comparece ao trabalho.
Inclui faltas, atrasos e afastamentos. É a ausência física do profissional.

Já o presenteísmo ocorre quando o colaborador está fisicamente presente, mas não está produtivo. Ele pode estar doente, desmotivado, exausto ou emocionalmente sobrecarregado. Está no trabalho, mas com desempenho reduzido.

Enquanto o absenteísmo é visível e fácil de medir, o presenteísmo é silencioso. Ele nem sempre aparece nos relatórios, mas impacta diretamente nos resultados.

Em muitos casos, o presenteísmo pode evoluir para o absenteísmo. Um colaborador que trabalha doente ou sob estresse constante tende a se afastar no futuro.

Por isso, os dois indicadores devem ser acompanhados juntos. Ambos revelam sinais importantes sobre saúde, engajamento e clima organizacional.

Como calcular o índice de absenteísmo?

O absenteísmo é calculado com base nas horas totais e nas horas não trabalhadas por ausência.

A fórmula mais simples é:

(horas perdidas ÷ horas totais) x 100

Some todas as horas não trabalhadas, divida pelo total de horas previstas no período e multiplique por 100, assim chegará ao percentual do índice de absenteísmo, referido em pesquisas de mercado.  

Qual índice é considerado aceitável?

Não existe um número único que sirva para todas as empresas, já que o índice de absenteísmo varia conforme setor, porte da organização, tipo de atividade e contexto econômico. Ainda assim, benchmarks de mercado ajudam o RH a entender quando o indicador está sob controle ou quando exige intervenção.

Segundo levantamento publicado pela Exame em 2024, índices de até aproximadamente 4% podem ser considerados aceitáveis em muitos setores da economia brasileira, especialmente quando já contemplam ausências justificadas, afastamentos médicos pontuais e imprevistos naturais do dia a dia corporativo. Percentuais acima desse patamar tendem a acender um alerta para análise mais aprofundada das causas.

No cenário internacional, a AIHR (Academy to Innovate HR) aponta que uma taxa em torno de 1,5% costuma ser vista como saudável em organizações estruturadas, pois já considera dias de doença, consultas médicas e outras situações inevitáveis. Ou seja, um certo nível de absenteísmo é natural e esperado.

Inclusive, buscar “absenteísmo zero” não é uma meta realista nem saudável. De acordo com a própria AIHR, índices excessivamente baixos podem indicar um problema oculto: o presenteísmo, quando colaboradores comparecem ao trabalho mesmo doentes ou emocionalmente indispostos. Nesses casos, a pessoa está fisicamente presente, mas com baixa produtividade, aumentando o risco de afastamentos futuros.

Quais as principais causas do absenteísmo?

Lembrando que ter alguma taxa de absenteísmo é normal e saudável, o que não pode ocorrer são atrasos e faltas injustificadas de maneira excessiva. Até mesmo, muitos atestados de saúde mental vindos de um setor é um sinal de alerta sobre as condições de trabalho que a empresa oferece para àquela função, por exemplo. 

Dito isto, vamos à algumas causas comuns dos diferentes tipos de absenteísmo.

Falta de motivação

Quando o colaborador não enxerga propósito no que faz, não se sente reconhecido ou percebe poucas oportunidades de crescimento, o vínculo com a empresa enfraquece. Começa a faltar por causas pequenas que antes não levariam à sua ausência, como o trânsito mais complicado ou um dia que acordou se sentindo indisposto. 

Dificuldade na gestão do tempo

Atrasos frequentes podem indicar problemas de organização pessoal e gestão do tempo. Sem orientação e acompanhamento, pequenos atrasos podem se tornar rotina.

Cultura organizacional permissiva

Empresas que toleram atrasos e faltas sem critérios claros ou consequências formais acabam reforçando esse comportamento. Quando não há política transparente e aplicação consistente de regras, o absenteísmo tende a aumentar.

Jornada excessiva e esgotamento

Carga horária prolongada, metas irreais e pressão constante geram desgaste físico e emocional. O resultado pode ser exaustão, queda de produtividade e aumento de afastamentos.

Doenças físicas e mentais

Problemas de saúde são uma das causas mais comuns de ausência. Podem estar relacionados a fatores externos ou às próprias condições de trabalho, como estresse, ergonomia inadequada e sobrecarga.

Como o absenteísmo impacta a empresa?

O absenteísmo afeta muito mais do que a presença física de um colaborador. Ele gera efeitos em cadeia que impactam diretamente nos resultados, clima e custos.

Quando um profissional falta, a equipe precisa redistribuir tarefas. Isso aumenta a sobrecarga e pode comprometer prazos e qualidade das entregas.

Há também impacto financeiro. A empresa continua arcando com salários, encargos e possíveis substituições temporárias. Em alguns casos, há pagamento de horas extras para compensar a ausência. Mesmo que descontado o valor no salário do colaborador pela falta nos casos de absenteísmo injustificado, a conta tende a sair negativa.

Outro efeito é a queda de produtividade. Há também, impacto no clima organizacional, faltas recorrentes geram sensação de injustiça entre os colegas que precisam assumir mais responsabilidades.

Além disso, altos índices de absenteísmo podem indicar problemas mais profundos, como baixa motivação, liderança fragilizada ou condições de trabalho inadequadas que devem ser olhadas de modo estratégico. 

Como reduzir o absenteísmo?

O primeiro passo é acompanhar o indicador com frequência e traçar onde sua empresa está: maioria das faltas são justificadas ou sem justificativa? 

Se a maioria é justificada talvez o índice de absenteísmo da sua companhia já seja saudável, se há faltas sem justificativa, devemos agir nas causas: motivação da liderança e/ou equipe, cultura da empresa, jornada excessiva de trabalho, entre outras particulares de cada caso.

Em seguida, tente identificar padrões. As ausências são concentradas em um setor? Estão ligadas a uma liderança específica? Ocorrem após períodos de alta demanda? Estes apontamentos já respondem à algumas das possíveis causas. 

De modo geral, como ação é importante fortalecer a comunicação da empresa com os funcionários, para que se sintam ouvidos e relatem problemas, ao mesmo tempo construir uma cultura organizacional com regras claras. Uma ouvidoria para aprimorar a transparência sobre melhorias necessárias na empresa e ter políticas sobre atrasos e faltas, podem ajudar.  

Outro ponto importante é cuidar da carga de trabalho, evitar excesso de horas extras e traçar metas realistas, buscando o balanço entre a vida profissional e pessoal dos seus colaboradores. Esta ação previne adoecimentos mentais que levam a absenteísmo justificado, porém evitável. 

Invista em programas de apoio à saúde e bem-estar como consultas psicológicas gratuitas, telemedicina e incentivo à atividade física, benefícios como o VCuida da Vallora e o Wellhub, contribuem para menos afastamentos. 

Por fim, desenvolva lideranças. Gestores preparados identificam sinais de desmotivação e conflitos antes que se transformem em ausências recorrentes. Reduzir o absenteísmo é, acima de tudo, fortalecer a cultura e o cuidado com as pessoas.

Como os benefícios corporativos ajudam a reduzir o absenteísmo? 

Entendendo a causa do absenteísmo, os benefícios podem atuar diretamente. Promovem, por exemplo, mais motivação e aproximam o colaborador da empresa. 

Tratando especificamente do absenteísmo justificado por afastamentos de saúde, ele pode ser reduzido quando a empresa investe em saúde e bem-estar.

Soluções de acesso rápido à saúde fazem diferença. O VCuida, da Vallora Benefícios, oferece telemedicina, pronto atendimento 24h e sessões de terapia. Isso facilita o cuidado preventivo e evita que pequenos problemas de saúde se tornem afastamentos prolongados.

O cuidado com a saúde mental também é essencial. Atendimento psicológico acessível ajuda a reduzir estresse, ansiedade e o esgotamento mental, fatores diretamente ligados ao absenteísmo.

Para cuidado preventivo da saúde e melhora do bem-estar, o Wellhub amplia o acesso a atividade física, com mais de 90.000 academias e studios cadastrados. Colaboradores fisicamente ativos e emocionalmente equilibrados tendem a apresentar menos faltas e maior produtividade.

Além disso, benefícios que demonstram cuidado fortalecem o vínculo entre colaborador e empresa. Mais engajamento significa menor probabilidade de ausências voluntárias.

Quando integradas à estratégia de gestão de pessoas, soluções tais quais VCuida e Wellhub se tornam ferramentas de prevenção e redução do absenteísmo.

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